“A paz não pode ser reduzida a um slogan", frisa Papa em Camarões

  • 15/04/2026

Em encontro com autoridades, Leão XIV destacou a urgência da paz, o papel da sociedade civil e a atenção aos jovens como esperança para o país

Julia Beck
Da redação

Papa discursa às autoridades de Camarões / Foto: REUTERS/Guglielmo Mangiapane

Na segunda etapa de sua terceira viagem apostólica, o Papa Leão XIV fez, nesta quarta-feira, 15, seu primeiro discurso em Camarões. O Pontífice chegou por volta das 15h (horário local), após deixar a Argélia, e encontrou-se com autoridades, membros da sociedade civil e do corpo diplomático. Ele agradeceu a acolhida e destacou a alegria de visitar a nação conhecida como “África em miniatura”, pela diversidade de territórios, culturas e tradições.

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O Papa ressaltou que essa diversidade é um tesouro e base para a paz. “Constitui uma promessa de fraternidade e um sólido fundamento para a construção de uma paz duradoura. Venho até vós como pastor e como servidor do diálogo, da fraternidade e da paz. A minha visita expressa o carinho do sucessor de Pedro por todos os camaronenses, bem como o desejo de encorajar cada um a prosseguir, com entusiasmo e perseverança, na construção do bem comum”, afirmou.

Leão XIV manifestou o desejo de fortalecer a cooperação entre a Santa Sé e Camarões, com base no respeito mútuo, na dignidade humana e na liberdade religiosa. Recordou ainda as visitas de São João Paulo II e Bento XVI, cujas mensagens, segundo ele, marcaram a história do país ao incentivar o serviço, a unidade e a justiça.

Apelo pela paz

Ao abordar a situação atual, o Pontífice destacou a necessidade de avaliar os frutos do caminho percorrido e reforçou que servir ao país exige compromisso com o bem comum de toda a população. Ele também chamou atenção para os desafios enfrentados por Camarões, especialmente nas regiões afetadas por violência.

“As tensões e a violência que afetaram algumas regiões do Noroeste, do Sudoeste e do Extremo Norte causaram grandes sofrimentos: vidas perdidas, famílias deslocadas, crianças privadas da escola, jovens que não vislumbram um futuro. Por trás das estatísticas, há rostos, histórias e esperanças feridas”, disse.

O Papa reiterou o apelo pela paz, destacando que ela deve ser vivida concretamente. “A paz não pode ser reduzida a um slogan: deve encarnar-se num estilo, pessoal e institucional, que repudie toda e qualquer forma de violência. Por isso, reitero com veemência: «O mundo tem sede de paz […]. Chega de guerras, com os seus penosos amontoados de mortos, destruições, exilados!»”.

Responsabilidade de todos

Leão XIV afirmou que a construção da paz é responsabilidade de todos, especialmente das autoridades, e destacou o papel da sociedade civil, incluindo associações, organizações e líderes religiosos, na mediação de conflitos e no apoio às vítimas. Também ressaltou a importância das mulheres como “incansáveis artífices da paz” e defendeu transparência na gestão pública e respeito ao Estado de direito.

O Santo Padre incentivou ainda um “salto corajoso” para fortalecer instituições justas e combater a corrupção. “Uma paz autêntica nasce quando cada um se sente protegido, ouvido e respeitado, quando a lei é um baluarte seguro contra o arbítrio dos mais ricos e dos mais fortes”, afirmou.

Jovens: esperança do país

O Pontífice destacou o papel dos jovens como esperança do país, defendendo investimentos em educação, formação e empreendedorismo. “Não falta aos jovens camaronenses uma profunda espiritualidade, que ainda resiste à homogeneização do mercado. Trata-se de uma energia que torna preciosos os seus sonhos, enraizados nas profecias que alimentam a sua oração e os seus corações”.

Por fim, o Papa sublinhou a importância do diálogo inter-religioso para promover a paz e afirmou que a Igreja Católica no país deseja continuar servindo a população por meio de suas obras sociais, em colaboração com as autoridades e demais setores da sociedade.

Próximos compromissos

Neste primeiro dia de compromissos em Camarões, o Santo Padre visitará o orfanato Ngul Zamba e se reunirá de forma privada com os bispos do país. Na quinta-feira, 16, o Pontífice viaja a Bamenda, onde participa de um encontro pela paz com a comunidade local e preside a Santa Missa. No mesmo dia, retorna à capital, Iaundé. Já na sexta-feira, 17, o Papa parte para a Angola.

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FONTE: https://noticias.cancaonova.com/especiais/pontificado/leao-xiv/a-paz-nao-pode-ser-reduzida-a-um-slogan-frisa-papa-em-camaroes/


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