Peregrinos partilham experiências no caminho de Santiago de Compostela

  • 25/07/2026

No dia em que a Igreja celebra a festa de São Tiago Maior, saiba mais sobre a espiritualidade peregrina do caminho de Santiago de Compostela

Gabriel Fontana
Da Redação

Caminho de Santiago de Compostela é percorrido por milhares de peregrinos, todos os anos / Foto: Canva

Ano após ano, peregrinos de todo o mundo viajam para a Espanha para seguir os passos de um dos apóstolos de Cristo: São Tiago Maior, celebrado pela Igreja neste sábado, 25.

Junto de Pedro e João, Tiago gozou de grande intimidade com Jesus, estando presente em diversos e importantes momentos relatados na Sagrada Escritura. Após a morte e ressurreição do Senhor, seguiu o mandato missionário e dedicou-se a evangelizar a Galícia, atualmente situada no território espanhol.

São Tiago Maior foi o primeiro apóstolo a ser martirizado — sua morte em Jerusalém encontra-se narrada na Bíblia, inclusive. Segundo a Tradição, seus restos mortais foram levados para a região onde evangelizou. Séculos depois, seu túmulo foi redescoberto, levando à fundação da cidade de Santiago de Compostela.

Chamado à conversão

Padre Reinaldo Cazumbá / Foto: Reprodução

Missionário da Comunidade Canção Nova, padre Reinaldo Cazumbá visitou a cidade diversas vezes como diretor espiritual de peregrinações. O sacerdote relata que o caminho que os peregrinos realizam até lá, independentemente do roteiro seguido, é uma jornada de penitência e conversão, da mesma forma como pregou São Tiago Maior.

“Todas as vezes que eu vou a Santiago de Compostela, vejo peregrinos do mundo inteiro fazendo esse caminho. É um caminho que é feito pensando na evangelização da pessoa, que segue o caminho de Tiago que levou a Cristo”, afirma padre Reinaldo.

O sacerdote partilha que, sempre que visita Santiago de Compostela, sente-se provocado a uma mudança de vida e à conversão. “Fazer essa experiência com Santiago de Compostela é pedir ao Senhor que nossa vida seja renovada. Todas as vezes que eu vou lá, saio com o desejo de caminhar pela conversão e penitência e de querer ser mais de Cristo”, afirma.

Caminhada interior

Mônica Vidile / Foto: Arquivo pessoal

Mônica Vidile fez o caminho de Santiago de Compostela em 2017. Ela relata que sempre teve vontade de realizar uma peregrinação espiritual, mas não podia devido ao trabalho e aos afazeres de casa. “Quando me aposentei em 2016, surgiu a tão esperada oportunidade de realizar meu desejo. Foi assim que escolhi esse percurso de São Tiago”, conta.

A professora aposentada peregrinou em abril no ano seguinte. Para escolher a rota, entrou em contato com a Associação dos Confrades e Amigos do Caminho de Santiago (ACACS-SP), que deram o suporte necessário para que ela planejasse seu roteiro de viagem em segurança.

Mônica viajou para Madri em abril de 2017. Após chegar à capital espanhola, seguiu de ônibus até Ponferrada, uma cidade a 200 quilômetros de Santiago de Compostela. “Fiz todo o percurso a pé, caminhando 20 km por dia aproximadamente. A duração do trajeto foi de 11 dias”, relata.

A cada parada, Mônica recebia um carimbo em sua Credencial do Peregrino, um documento que registra a jornada realizada. Ela conta também que o percurso é totalmente envolvente. “No caminho, aprende-se que o pouco que se necessita cabe na mochila, nos despojamos do supérfluo e exercitamos a capacidade de sermos humildes”, indica.

Segundo a professora aposentada, peregrinar foi uma caminhada interior. “Caminhei com o coração voltado para Deus e meu autoconhecimento, buscando renovar a fé e o desapego material. Cada passo que dei, foi sempre em direção à gratidão. O objetivo não foi Compostela; encontrei Santiago no próprio caminho. Quis ir só e estive sempre acompanhada”, partilha.

Credencial do Peregrino, onde são carimbados os locais por onde os peregrinos passam durante o caminho / Foto: Mônica Vidile

“Deus providenciou tudo”

José Carlos Mancilha / Foto: Arquivo pessoal

José Carlos Mancilha já realizou diversas peregrinações, inclusive a do caminho de Santiago de Compostela. Para ele, trata-se de uma ótima oportunidade para trabalhar internamente o desapego material, a partilha e a conversa; para ouvir, aprender e principalmente crescer espiritualmente no diálogo com Deus.

“Sempre gostei de caminhar. Para mim a peregrinação é sempre um encontro comigo mesmo. O ‘eu interior’ vai se esvaziando e, ao mesmo tempo, se fortalecendo com a presença de Deus nos pequenos detalhes que você passa a observar ao longo do caminho. Passa a ser um retiro espiritual, onde você conversa com o Criador quase que o tempo todo”, exprime.

Catedral de Santiago de Compostela / Foto: José Carlos Mancilha

Na jornada rumo a Compostela, José Carlos e sua companheira partiram de Porto, em Portugal, no dia 2 de maio de 2025. Foram 240 quilômetros de caminhada durante nove dias, em uma média de 25 a 30 quilômetros percorridos por dia e com somente uma mochila de 7,5 kg nas costas.

“Não fizemos nenhuma reserva de hospedagem ao longo do trajeto. Confiamos e entregamos nas mãos de Deus e Ele providenciou tudo. Não nos faltou nada, absolutamente nada”, relata.

José Carlos ressalta o sentimento que surge durante o caminho de paz profunda, desapego às coisas materiais, renascimento e descobertas ainda não vividas. “A jornada de um peregrino, geralmente, remete às dores que cada um traz consigo, sejam elas físicas ou espirituais. O importante é como cada pessoa vive o propósito da peregrinação”, conclui.

“Deus fala com você no vento que toca o seu rosto”

Fábio Lopes / Foto: Arquivo pessoal

Fábio Lopes ouviu falar sobre Santiago de Compostela por meio de um professor de espanhol que teve. Ele conta que tinha 26 anos na época que soube do caminho, mas somente realizou a peregrinação há cerca de cinco anos, quando tinha 43 anos de idade.

A rota pela qual Fábio optou foi a francesa. Partindo da cidade de Saint-Jean-Pied-de-Port, ele percorreu 779 quilômetros a pé, em uma jornada que durou mais de um mês, entre setembro e outubro de 2021.

“Você acaba passando por horas, dias e noites de solitude e de solidão. Você está com você todo o tempo, tem o silêncio externo como companheiro. Deus fala com você no vento que toca o seu rosto, na lágrima que escorre sem você saber o porquê”, relata.

“Deus me entregou a capacidade de confiar em algo que não consigo tocar, mas que eu preciso seguir”, acrescenta Fábio. “Seguir na dor, física ou emocional, pois Ele está na vigília. Meus dias de dor de choro incessante me mostraram a capacidade de confiar para seguir”, conclui.

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FONTE: https://noticias.cancaonova.com/igreja/peregrinos-partilham-experiencias-no-caminho-de-santiago-de-compostela/


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