Tragédia dos abusos: Igreja alerta famílias e reforça rede de proteção
- 21/04/2026
Em coletiva na 62ª Assembleia Geral, bispos e religiosa reforçaram o compromisso com o cuidado rigoroso de crianças e vulneráveis
Thiago Coutinho
Enviado especial a Aparecida (SP)

Irmã Maria, Dom Jaime e Dom Wellington durante a coletiva desta terça-feira, 21 / Foto: Bruno Marques
A proteção de menores contra situações de abuso foi o tema abordado na coletiva desta terça-feira, 21, na 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Atenderam a imprensa o presidente da CNBB, Cardeal Jaime Spengler; o presidente da Comissão Especial para a Tutela de Menores e Adultos Vulneráveis da CNBB, Dom Wellington de Queiroz Vieira, e a presidente da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), Irmã Maria do Disterro.

Dom Jaime Spengler / Foto: Bruno Marques
“Não é um problema novo à Igreja”, lamentou Dom Jaime. “E há pelo menos 25 anos esse tema tem surgido. Estamos fazendo um trabalho não só da proteção, mas da consciência eclesial e prevenção. A questão extrapola os ambientes eclesiais”, afirmou o presidente da CNBB.
“A pessoa abusada carrega marcas para toda a vida”, explanou Dom Welligton. “E a Igreja tem olhado para esta questão, não estamos preocupados apenas com o ambiente eclesial”, acrescentou o bispo.
A Páscoa de Francisco
Irmã Maria recordou que exatamente na data em que se celebra um ano do falecimento do Papa Francisco, a Igreja se empenha em discutir um tema que foi muito abordado e reforçado pelo então Pontífice. “O Papa Francisco nos deixou esse legado da promoção da vida”, recordou a presidente da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB). “O testemunho do Papa Francisco, o legado dele tem nos acompanhado, sobretudo no sentido da promoção da vida, das crianças, dos mais vulneráveis, das pessoas em situação de vulnerabilidade”, detalhou a religiosa.

Irmã Maria do Disterro / Foto: Bruno Marques
A violência contra a mulher, tema que tem sido recorrente na sociedade nos últimos tempos, também foi abordado pela Irmã. A seu ver, o pontificado de Leão XIV é muito forte neste quesito. “O Papa Leão XIV, quando inicia seu pontificado, nos convidando a uma paz desarmante e desarmada, porque às vezes a violência vem pelas palavras, pelo nome”, observa. “Sabemos o que custa ser mulher. Uma mulher abusada, maltratada, mesmo na Igreja, isso também preocupa os bispos”, acrescentou.
O respeito pelos pequeninos
O Papa Leão XIV também tem insistido neste tema e frisado que a Igreja deve ampliar sua atuação com relação ao combate no abuso dos menores. “Existe um trabalho muito rigoroso sendo realizado. E quando nós abordamos a questão dos abusos, precisamos de muita transparência e também humildade”, enfatizou o Cardeal Jaime.
Nas palavras de Dom Jaime, trata-se de um problema que infelizmente se tornou realidade mesmo em ambiente eclesiástico. “Não é um problema novo no seio da sociedade em geral, e nem mesmo, eu diria, da Igreja”, afirmou. “Mas, é uma questão que extrapola os ambientes eclesiais. Porque nossas crianças merecem todo cuidado, toda atenção, afinal são essa parcela preciosa [da vida]”.

Dom Wellington de Queiroz Vieira / Foto: Bruno Marques
“A sociedade brasileira precisa abrir os olhos”, advertiu Dom Wellington. “Essa tragédia dos abusos é algo muito mais amplo, a família precisa abrir os olhos. A Igreja Católica no Brasil, de modo especial, está muito atenta a isso e, claro, tomando as medidas cabíveis diante da situação. Nós temos o trabalho de cuidar, o trabalho de proteção, e os cometidos, seja de punição dos responsáveis”, finalizou.
Para acompanhar a cobertura, acesse todas as notícais da 62ª Assembleia Geral da CNBB.
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